A gestão do prefeito Ildo da Silva Gusmão enfrenta uma grave tempestade política e jurídica. O motivo é a contratação de empréstimos milionários junto à Caixa Econômica Federal (linha FINISA) , que vêm gerando intensa revolta nas redes sociais e agora se tornaram alvo de uma Ação Popular com pedido de liminar na Justiça Federal
.A Batalha Judicial e a “Caixa Preta” dos 50 Milhões
A controvérsia jurídica teve início com uma Ação Judicial protocolada em dezembro de 2025 por uma cidadã moratense apontando para a suposta inconstitucionalidade e ilegalidade da Lei Municipal nº 3.425/2023, que autorizou a prefeitura a contrair até R$ 50 milhões em crédito sem especificar a finalidade, o projeto ou a obra que receberia o investimento.
Segundo a petição inicial, a prefeitura fracionou esse valor total em dois grandes contratos: o primeiro, de R$ 30 milhões, foi assinado em julho de 2024; o segundo, de R$ 20 milhões, foi firmado em novembro de 2025. A ação judicial acusa a gestão municipal de ocultar deliberadamente este segundo contrato, que tramitou em sigilo por meses, inclusive sendo omitido em uma resposta oficial a um pedido feito via Lei de Acesso à Informação (LAI) em agosto de 2025.
O Próximo Passo: Mais 70 Milhões na Conta
O clima na cidade esquentou ainda mais com a revelação de que a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 já prevê uma nova operação de crédito no valor de R$ 70 milhões. Se este novo montante for concretizado e somado aos valores já firmados, o endividamento planejado da cidade saltará para estarrecedores R$ 120 milhões.
Os números apresentados na Justiça alertam para um alto risco de colapso fiscal. A dívida total superaria, com folga, toda a previsão de arrecadação tributária própria do município para o ano, que é de apenas R$ 102.085.000,00. A petição demonstra ainda que, apenas com as taxas contratuais e juros durante o primeiro ano de carência (sem nem começar a abater o valor principal), a prefeitura terá um custo de aproximadamente R$ 3,1 milhões aos cofres públicos.
Pressão Popular e Viralização
Nas ruas e nos grupos de mensagem, a reação da população foi imediata. Um vídeo em formato de alerta tem viralizado rapidamente, resumindo a indignação de quem paga impostos. Na gravação, o ex-candidato Douglas Cavalcante faz uma cobrança direta ao legislativo e ao executivo, afirmando: “Você acaba de ganhar uma dívida de 50 milhões e ninguém te avisou… e agora querem mais 70 milhões”.
No vídeo, Cavalcante conecta o pacote de empréstimos com as dificuldades reais da população, citando a famigerada “taxa do lixo” e os aumentos no IPTU. A denúncia na internet reforça o prazo de pagamento do financiamento estipulado em contrato, alertando o morador que essa conta de 120 milhões será paga “por você, seus filhos e netos pelos próximos 15 anos”.
Próximos Capítulos
A Ação Popular pede a concessão de tutela antecipada em caráter liminar para suspender imediatamente a eficácia da lei municipal e impedir qualquer repasse de valores ou cobrança de comissões por parte da Caixa Econômica Federal.
Enquanto a Justiça Federal analisa o pedido de paralisação dos R$ 50 milhões, a pressão popular e digital recai fortemente sobre a Câmara de Vereadores, que terá a missão de barrar ou aprovar o novo pacote de 70 milhões. O Jornal Manchete Regional continuará acompanhando os desdobramentos deste que já é o maior imbróglio financeiro da história recente da cidade.
.


